Pelo final deste ano, cerca de mil aviões utilizados em rotas domésticas de transporte nos Estados Unidos contarão com serviços de conexão Wi-Fi, de acordo com a Aircell, a empresa que respondeu pela maior parte das instalações de sistemas Wi-Fi realizadas até o momento. Até o final de 2010, o sistema estará disponível em dois mil aparelhos, segundo a Aircell. Isso equivale a cerca de dois terços da frota de transporte aéreo das principais companhias aéreas nacionais, o que exclui os jatos de transporte regionais.
Portanto, fica evidente que o Wi-Fi vai se tornar o novo padrão, ainda que não existam provas convincentes de que mais que uma fração dos passageiros está disposta a pagar pela conexão. Com preços de até US$ 12,95 por vôo, não está de maneira alguma claro que os passageiros estariam dispostos a pagar ainda outra taxa adicional.
Assim, de que maneira as companhias aéreas poderão fazer com que o sistema funcione como proposta de negócios em longo prazo? No estágio inicial, o objetivo é encorajar mais viajantes de negócios a usar o Wi-Fi, tão logo eles estejam cientes de que o sistema estará disponível de modo mais generalizado.
A Delta Air Lines, que afirma que até setembro contará com mais de 300 aviões já convertidos para o uso do serviço GoGo de Wi-Fi, fornecido pela Aircell, planeja oferecer descontos. "Na metade deste ano, vamos lançar um conceito de preços sob o qual a pessoa poderá adquirir uma assinatura mensal, com preços projetados para atrair os viajantes regulares", disse Ranjan Goswami, diretor de atendimento ao consumidor da Delta.
Goswami não quis informar quanto custaria uma assinatura mensal. A Delta cobra US$ 12,95 pelo acesso ao sistema Wi-Fi em vôos de mais de três horas de duração, e para atrair o crescente número de passageiros que viajam levando celulares inteligentes dotados de conexão Wi-Fi, oferece acesso por US$ 7,95 para aparelhos portáteis, em vôos de qualquer duração.
Os serviços de Wi-Fi em vôo oferecem conexão com a internet e acesso a e-mails, no momento, mas as companhias aéreas estão considerando um possível mercado de segunda geração: aproveitar as conexões de maior capacidade que o sistema propicia para serviços de entretenimento de bordo mais sofisticados.
O custo de instalação do sistema da Aircell é da ordem de US$ 100 mil por avião, e ele acrescenta apenas 130 quilos ao peso do aparelho. Considerando que o peso e o custo dos sistemas de telas digitais instaladas nas poltronas são bem maiores, as companhias aéreas em crise agora terão de tomar uma difícil decisão.
Já que mais e mais e pessoas carregam equipamento eletrônico pessoal em suas viagens, quer se trate de laptops, netbooks, celulares inteligentes ou seja lá o que for, será que uma companhia aérea poderia evitar os custos de instalação das dispendiosas telas nas poltronas?
O sistema Wi-Fi da Aircell utiliza um servidor de alta capacidade, "e por isso não deveria causar surpresa se, no futuro, mais e mais conteúdo vier a ser adicionado", disse Jack Blumenstein, o presidente-executivo da empresa. Isso significa que filmes e outras formas de entretenimento podem ser carregados no solo e distribuídos em todo o avião para que os passageiros desfrutem deles em seus equipamentos eletrônicos pessoais, ele afirma.
Outra empresa, a Row 44, oferece um sistema via satélite que está em teste na Southwest Airlines. O Wi-Fi parece uma solução perfeita para companhias aéreas que enfrentam a necessidade competitiva de remover as telas instaladas em posição elevada nas cabines, que nunca foram muito apreciadas, e acompanhar as ações de concorrentes cujos aviões já incluem telas instaladas nas costas das poltronas.
Mas a solução não é perfeita para o consumidor. Laptops são difíceis de usar nas pequenas bandejas e lugares apertados dos aviões, e os celulares inteligentes, devido ao tamanho reduzido, têm telas pouco maiores que um cartão de visita, se tanto.
As companhias aéreas que desejem concorrer no mercado de entretenimento em voo terão provavelmente de considerar uma combinação entre telas em poltronas e Wi-Fi, disse David Cush, presidente-executivo da Virgin America, que recentemente instalou sistemas Wi-Fi em 26 de seus Airbus A320 e A319.
A JetBlue estabeleceu o parâmetro para as telas de poltrona em voos domésticos, incluindo a programação ao vivo de TV via satélite. Algumas outras empresas acompanharam seu exemplo. A Delta já tem telas nas poltronas de 100 de seus aviões usados em rotas nacionais, e está considerando se as instala ou não nos 200 outros aparelhos que opera.
"Queremos ver como o Wi-Fi se sai, mas realmente apreciamos nosso produto de TV e vídeo em telas de poltrona", disse Goswami. A maioria das companhias aéreas que oferecem o Wi-Fi não revelam dados de uso. Cush afirmou que na Virgin America o serviço é utilizado por entre 20% e 25% dos passageiros na rota San Francisco-Boston, um percurso de uso intenso em viagens de negócios. A média geral é de 12% a 15%, afirma.
"O próximo passo será integrar Wi-Fi e telas de poltrona", afirmou. "No futuro, as pessoas carregarão com elas em aviões não aparelhos de tela grande, e sim BlackBerrys e iPhones", afirma Cush. A empresa planeja integrar o Wi-Fi às suas telas de assento de nove polegadas. "Os esportes são uma das maiores atrações na TV via satélite", disse. "Você já tentou assistir a um jogo de basquete em uma tela do tamanho de uma caixa de fósforos?"
Fonte: Terra
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