14.4.08

Falta piloto no mercado

Setor cresce 12% ao ano, enquanto taxa de expansão de licenças para pilotar é de 4%.

TAM e Gol demandam anualmente 500 profissionais

Não são apenas os setores de construção civil e tecnologia que sofrem com a falta de mão-de-obra qualificada, hoje a aviação civil também faz parte desse rol. Como o setor está crescendo acima de 12% ao ano, muitas empresas são obrigadas a diminuir às exigências para preencher vagas de co-pilotos e a adiar o recebimento de aeronaves por não terem profissionais suficientes para operar. Dados da Agência Nacional deAviação Civil (Anac) mostram que a taxa média de expansão das licenças para pilotos de linha aérea é de apenas 4%. De cada cinco licenças emitidas, duas são para pilotos de linha aérea e três para profissionais que trabalham em pequenas aeronaves (comercial).

Segundo o superintendente da Anac, Alex Castaldi Romera, praticamente todos os funcionários dispensados pela Varig — devido à crise financeira— foram contratados por companhias nacionais ou estrangeiras.“Muitos dos pilotos saíram do país”, ressaltou, acrescentando que a legislação brasileira não permite empregar pessoas de outra nacionalidade. A situação só tende a piorar. As duas maiores empresas do país— TAM e Gol — têm uma demanda anual de 500 pilotos, mas as licenças, nos últimos anos, não ultrapassaram a marca de 300.

O vice-presidente executivo da Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag), Adalberto Febeliano,informou, em 2001, ao Congresso Nacional sobre a necessidade de investimentos do governo na formação desses profissionais, mas nada foi feito. “Na época, já estávamos educando menos pilotos do que o necessário”, afirmou, destacando que o elevado custo das horas vôos — é preciso, no mínimo, 1,5 mil horaspara trabalhar em uma linha aérea, sendo que as empresas exigem 5 mil horas — acaba inibindo a entradade novos trabalhadores no segmento. “O Estado precisa financiar parte da formação. Antes as empresas nãoconseguiam voar por causa da crise aérea. Daqui a alguns anos, será por falta de pilotos”, acrescentou.

A despesa para formar um piloto comercial varia de R$ 50 mil a R$ 140 mil (no caso de o profissional precisar se mudar de cidade para estudar). “De 2001 para cá, as empresas investiram alto na compra de novas aeronaves e estão trabalhando mais com o mesmo avião. Isso exige a contratação de mais funcionários porque um piloto não pode voar por mais de oito horas”, reforçou Febeliano. Para amenizar o caos, o superintendente da Anac disse que a agência está desenvolvendo um projeto que vai oferecer 135 bolsas de estudo — 71 para pilotos privados e 64 para comerciais. Inicialmente, a idéia será implementada no Rio Grande do Sul, mas deverá ser estendida para outros estados, utilizando recursos do leilão de 430 aeronaves pertencentes à agência.

De olho na falta de trabalhadores qualificados, o militar da reserva Nivaldo Dias Ribeiro abriu, no anopassado, a Escola de Aviação Civil Ribeiro, no Núcleo Bandeirantes. “Trabalhei na área de mecânica da aviação civil por muitos anos e identifiquei que estão faltando profissionais. Abri uma escola e, por enquanto,tudo está indo muito bem”, comentou. A professora de ciência aeronáutica da Universidade Católica de Goiás Tammyse Araújo da Silva frisou que a procura pelo curso universitário está cada vez maior. “Antigamente, o piloto tinha apenas que saber como dominar a máquina. Agora, precisa aprender também a gerenciar situações”, contou Tammyse.

Fonte: Correio Braziliense (DF)

Nenhum comentário: