16.8.08

VASP (1933 - 2005)

Depois do notícia sobre a falência da VASP, várias pessoas me mandaram e-mails falando sobre esta cia.aérea.
Então eu decidi publicar esse "post" para matar a saudade desta grande companhia aérea.
Quem quiser fazer algum comentário, descrever alguma experiência profissional, enviar alguma foto (rafaelmatera@gmail.com), etc..., será muito bem-vindo o relato!!!
(Depois eu publico aqui no Blog!!!)

(Esse texto que segue abaixo foi retirado do JetSite - www.jetsite.com.br)

A história da Vasp começou a ser escrita nos anos seguintes à Revolução de 1932. Em 12 de novembro de 1933 um grupo de empresários e pilotos reuniu-se e criou a Viação Aérea São Paulo, apresentando ao público na sua base do Campo de Marte seus primeiros aviões, dois Monospar ST-4 ingleses, com capacidade para três passageiros.

Em 16 de abril de 1934 decolaram os primeiros vôos comerciais, entre São Paulo, Ribeirão Preto e Uberaba e Rio Preto, via São Carlos.


As condições precárias da infraestrutura aeroportuária dificultavam a operação. Nos primeiros meses de atividades, teve suas operações suspensas devido a fortes chuvas, que inundaram o Campo de Marte. Tais dificuldades foram decisivas para a empresa participar do desenvolvimento de aeroportos e campos de pouso no interior paulista. A empresa transferiu suas operações para o recém inaugurado Aeroporto de Congonhas, conhecido como "Campo da Vasp".


Em janeiro de 1935, a sua frágil saúde financeira fez com que a diretoria pedisse oficialmente ajuda ao Governo do Estado. A Vasp foi estatizada e recebeu novo aporte de capital para a compra de 2 Junkers Ju-52-3M. O lado negativo, como só pode acontecer nesta terra de samba e pandeiro, foi "aculturar" a empresa com todas as mazelas de nossa (des)administração pública: alta rotatividade na direção, apadrinhamentos,etc... Muitas vezes, a própria presidência da empresa foi entregue à pessoas sem o mínimo conhecimento de aviação, nomeadas por razões políticas.


Em 1936 a Vasp estabeleceu a primeira linha comercial entre São Paulo e Rio de Janeiro, e em 1937 recebeu seu terceiro Junkers. Tragicamente, este avião, matriculado PP-SPF, sofreu o primeiro grande acidente de nossa aviação comercial: Em 8 de novembro de 1939 chocou-se, após a decolagem do aeroporto Santos Dumont, com um de Havilland 90 Dragonfly argentino.
Em 1939 a VASP comprou a Aerolloyd Iguassú, pequena empresa de propriedade da Chá Matte Leão, que operava na região sul do país. Em 1962 foi a vez do Lloyd Aéreo ser comprado, ampliando ainda mais sua participação a nível nacional (A Vasp parece que não pode ver um Lloyd sem se interessar- anos depois, foi a vez do Boliviano)


Após a Segunda Guerra, modernizou a frota com a introdução dos Douglas DC-3 e Saab S-90 Scandia. Em 1955 encomendou o Viscount 800, primeiro equipamento à turbina no Brasil e depois trouxe os "Samurai" YS-11. Em janeiro de 1968, entrou na era do jato puro com a entrega de dois BAC One Eleven 400. Em 1969, trouxe ao Brasil os primeiros Boeing 737-200, em 1982 chegaram os Airbus A300B2 e em 1986 o primeiro 737-300 de nosso país.


No início da década de 90, a Vasp foi privatizada. Seu novo presidente, Wagner Canhedo, iniciou uma agressiva expansão internacional: Ásia, Estados Unidos, Europa e até mesmo o Marrocos entraram no mapa da empresa. Aumentou a frota, trazendo entre outros três DC-10-30 e depois nove MD-11. Criou o Vasp Air System, após adquirir o controle acionário da LAB, Ecuatoriana e da argentina TAN.


Não conseguiu sustentar o crescimento. Deixou de pagar obrigações, salários, leasings e até taxas de navegação. Canibalizou os MD-11 a céu aberto em Guarulhos e foi cancelando as rotas internacionais. A frota foi reduzida, restando os pré-diluvianos 737-200 e os cansados A300 para servir uma rede doméstica menor do que a empresa operava em 1990. O Vasp Air System foi desfeito. Não foi apenas uma década perdida: foi uma década em marcha-à-ré.


Deu no que deu: em setembro de 2004, o Departamento de Aviação Civil (DAC) suspendeu as operações de oito aeronaves da Vasp. Por medida de segurança, os aviões 737-200 de prefixos PP-SMA, PP-SMB, PP-SMC, PP-SMP, PP-SMQ, PP-SMR, PP-SMS e PP-SMT foram proibidos de voar até cumpriem as exigências técnicas de revisões e modificações obrigatórias - as ADs (Airworthiness Directives) - estabelecidas pelo fabricante. Sem dinheiro para fazer os trabalhos, a Vasp decidiu encostar os jatos. Em seguida, eles começaram a ser canibalizados para oferecer peças aos outros 737 ainda em operação.


Com uma imagem arranhada e uma frota jurássica, a empresa foi perdendo terreno, sobretudo após a entrada da Gol no mercado. A Vasp operou em novembro de 2004 apenas 18% dos vôos programados. Em setembro de 2004, quando enfrentou a primeira paralisação de funcionários e começou a ter problemas para abastecer suas aeronaves, a fatia de mercado da companhia aérea era de apenas 8% e dois meses depois, de 1,39% . A ocupação também foi péssima: as únicas 3 aeronaves da Vasp que voaram no mês saíram com 47% dos assentos vendidos.


A Vasp parou de voar no final de janeiro de 2005, quando o DAC cassou sua autorização de operação. Suas aeronaves hoje estão paradas por aeroportos de todo o país, testemunhas de mais uma triste história de nossa aviação comercial.



Fontes: www.jetsite.com.br (texto) e www.airliners.net (fotos)

5 comentários:

landau disse...

Sinto vergonha em ver uma das melhores empresas do Brasil ser surrupiada e mal administrada por interesseiros como CANHEDO afim de levar vantagem de ganhos e deixando centenas de funcionários experientes abandonados, sem chão enquanto ele ri disso tudo com seu caixa em alta.
Mas por outro lado adverto que os funcionários, principalmente os mais velhos, deveriam tomar posse da empresa, assim como foi a Vale, e reverter esse quadro porque São Paulo é um nome forte e a Vasp seria um patrimônio do povo paulista.Me orgulhava muito da VASP mesmo nunca ter voado.
Que Canhedo pague pelo seus pecados.(Orlando Silva de Santo André)

Anônimo disse...

O governo do PT , de Lula , deixou a VARIG falir, por que ajudaria a VASP???........A AVASP voou razoavelmente enquanto "drenava" $$$$ dinheiro do Governo de SP , com a privatização , por Collor, deu passo maior que as pernas, lembrou a Real Aerovias que chegou a voar para Tóquio,uma temeridade,daí para o buraco ,foi um pulo. Já VARIG adquiriu a síndrome da PANAIR,levou tempo, mas cahegou a sua hora,pois os militares "faliram" a PANAIR e deram o espólio maravilhoso desta ,para a VARIG , de mão beijada, linhas, hangares, lojas, o nome, a experiência , o que fizeram com a PANAIR foi uma covardia!!!!.

Anônimo disse...

Contraditório esse texto... primeiro critica a administração pública da VASP depois mostra como a iniciativa privada tratou todo o patrimonio acumulado durante a administração pública... afinal quem faliu a VASP a administração pública ou a privada?... muito engraçado...

Anônimo disse...

Os principais responsáveis pela privatização da empresa já se foram.

Anônimo disse...

E os veículos que ela tinha ex: caminhões, carros e outros componentes onde foram parar