Brasileiros tiveram dificuldades para voar de Buenos Aires ao interior do país. Aerolíneas admite que vendeu passagens em excesso
Depois de um final de semana de martírio, os brasileiros que voavam pela empresa aérea Aerolíneas Argentinas enfrentaram mais atrasos e cancelamentos na segunda-feira. Ontem, a dor de cabeça atingiu, principalmente, os turistas que tentavam chegar às cidades do interior da Argentina para passar férias. Os destinos mais prejudicados são a Patagônia e o norte do país. A crise, gerada por uma excessiva venda de passagens, provocou atrasos e cancelamentos dos vôos que partiam do aeroporto metropolitano portenho, o Jorge Newbery — mais conhecido como Aeroparque — rumo a destinos como Bariloche, El Calafate e Ushuaia. Pelo menos 39 vôos atrasaram.
O mineiro Marcelo Távora, 16 anos, estava sentado desconsolado no chão do primeiro andar do Aeroparque. “Cheguei com amigos a Buenos Aires na sexta-feira à noite. Nosso vôo para Bariloche estava programado para as 8h. Mas atrasou. Se atrasar mais, não compensará ir até Bariloche, já que ia voltar de lá na quinta-feira. Nesse caso, prefiro ficar em Buenos Aires. Mas, por outro lado, em Bariloche já está tudo pago. Ia ver neve e esquiar pela primeira vez”, contou.
De acordo com os passageiros, não são oferecidas por parte da Aerolíneas Argentinas refeições e hospedagens em hotéis para os passageiros atingidos, como pressupõe a regulamentação do setor. A publicitária Leila Almeida, que fez escala na Argentina depois de viajar para a Espanha, teve de pagar do próprio bolso um hotel em Buenos Aires. Ela chegou ontem ao Aeoporto Internacional Antonio Carlos Jobim, no Rio de Janeiro, depois de enfrentar mais de 24 horas de atraso. “Foi uma sucessão de cancelamentos, e os passageiros desses vôos iam sendo deslocados para os seguintes, provocando um efeito dominó”, contou.
Administração anterior
A companhia, que passou das mãos do grupo espanhol Marsans para o governo argentino há duas semanas, alega que o problema se deve à venda excessiva de passagens para os 28 aviões em operação, prática conhecida como overbooking. A assessoria de imprensa da companhia explica que “faltam aeronaves para atender todos os vôos programados pela administração anterior e, por isso, alguns são reprogramados, provocando atrasos”. No domingo, 18 vôos sofreram atrasos de até 24 horas.
“A maioria das aeronaves está fora de serviço por falta de manutenção, o que provoca o overbooking”, argumentou o ministro do Planejamento e Obras, Julio De Vido, que acusou a Marsans de emitir passagens — em valor equivalente a US$ 140 milhões — sem ter uma frota com capacidade para atender os passageiros. Segundo o Sindicato dos Pilotos, a Marsans emitiu passagens como se todos os 67 aviões da empresa estivessem em pleno funcionamento.
No início deste ano, a Argentina sofreu um apagão aéreo provocado por uma seqüência de greves de pilotos e aeromoças, além da forte neblina e fumaça nos aeroportos de Buenos Aires. Entre março e abril, os aeroportos foram atingidos pela fumaça das queimadas na área rural perto da capital. Em maio, foram as cinzas do Vulcão Chaitén, no Chile, que se espalharam até o sul, interrompendo o trânsito aéreo.
Fonte: Correio Brasiliense
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