28.6.09

Menos de 20 por cento dos trabalhadores da British Airways aceitam corte salarial de um mês

Quase sete mil dos cerca de 40 mil trabalhadores da companhia de aviação inglesa British Airways aceitaram a proposta feita pela administração de trabalhar um determinado período de tempo - no prazo máximo de um mês - sem dele receberem vencimento imediato.

A percentagem de adesão voluntária conseguida, que não chega a 20 por cento, foi considerada pelo presidente executivo da empresa, Willie Walsh, como uma "fantástica primeira resposta", e que demonstra "claramente a diferença que um indivíduo pode fazer".

A diferença invocada por Walsh pode ser medida em números, e eles foram avançados do último comunicado de imprensa que pode ser lido na página da companhia aérea: foram 6940 os empregados que responderam afirmativamente ao e-mail que lhes foi enviado há pouco mais de uma semana. E essa resposta positiva irá permitir à empresa poupar, no imediato, cerca de dez milhões de libras (11,7 milhões de euros).

Estes funcionários aceitaram tirar licenças sem vencimento, abdicaram de horas de trabalho ou voluntariaram-se mesmo para trabalho não pago - o vencimento correspondente ser-lhes-á creditado num período de entre três e seis meses.

Walsh fala numa primeira resposta, porque os trabalhadores terão oportunidade de aderir a este programa de contenção de custos numa nova fase de adesões voluntárias que será aberta até ao fim do ano. As opções que estarão em cima da mesa continuam a passar pela aceitação de trabalhar entre uma e quatro semanas de licença sem vencimento, ou de trabalho com vencimento diferido, para o prazo de três a seis meses. As propostas incluem ainda a possibilidade de trocar trabalhos de part-time, ou mesmo, os mais longos, por licenças sem vencimento.

O presidente executivo da empresa diz que está em curso uma "luta pela sobrevivência", e uma batalha que tem de ser travada para recuperar dos resultados negros com que a empresa terminou o ano fiscal a 31 de Março e que foram os piores desde há 22 anos (ver caixa).

Willie Walsh quis ser o primeiro a dar o exemplo e anunciou, na altura em que enviou um e-mail a todos os funcionários a desafiá-los a aceitar o convite de trabalhar sem receber, que iria prescindir do seu salário de Julho, de 61 mil libras (72 mil euros).

Também há cerca de uma semana, a British Airways anunciou ter chegado a acordo com 3235 pilotos da companhia aérea, a vigorar por três anos, que aceitaram receber acções da empresa no valor de 13 milhões de libras (15,3 milhões de euros) em troca de uma menor remuneração. A redução salarial - que ronda, em média, os 2,61 por cento - vai permitir poupar cerca de 30 milhões de libras. O presidente da Associação de Pilotos da British Airways, Jim McAuslan, afirmou-se satisfeito com o acordo e relembrou que sempre disseram "que os trabalhadores vão partilhar os sacrifícios se depois partilharem os ganhos".

Fonte: http://economia.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1388793&idCanal=57

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