Foram 61 desastres que fizeram reacender o debate sobre segurança de voo
Levantamento do Escritório de Registros de Acidentes Aéreos (Acro, na sigla em inglês), que tem sede em Genebra, na Suíça, contabiliza a ocorrência de 61 acidentes aéreos só este ano, com um total de 917 mortes. A queda do voo 447 da Air France no dia 1º de junho no Oceano Atlântico, com 228 vítimas, foi o pior acidente de 2009. Os números parciais de 2009 não dão indicativo se a média de mortos será superior a outros anos. Em 2005, por exemplo, 1.455 passageiros e tripulantes morreram em acidentes aéreos. No ano seguinte, foram 1.293 vítimas fatais. Diante de nova tragédia no ar, reacende o debate sobre a segurança do transporte aéreo. As comparações com as mortes nas estradas brasileiras não são animadoras. Só entre o Natal e o Ano Novo do ano passado, 435 pessoas perderam a vida em acidentes de carro. Número que é praticamente o dobro das vítimas do voo 447 da Air France. Nada menos do que 1,2 milhão de pessoas perderam a vida em desastres de automóveis em 2007 no mundo.
Ainda sobre a queda do Airbus A330 da Air France, destroços do avião chegaram ontem à França, que preparada uma segunda fase de buscas submarinas da caixa-preta, a partir da semana que vem e com duração de um mês. O anúncio foi feito ontem pelo Escritório de Investigação e Análise (BEA, na sigla em francês), que explicou que essa nova fase contará com o navio Pourquoi pas. Veículos de imersão e um sonar rebocado serão usados, comunicou o BEA.
Todos os destroços recuperados pelos militares brasileiros serão analisados no centro de testes aeronáuticos, ligado ao Ministério da Defesa da França, sob o controle de agentes do corpo da Polícia de transporte aéreo, organismo independente do Ministério de Transportes, responsável por determinar as causas do acidente, além de investigadores do BEA.
Com o apoio de 23 famílias, a recém criada Associação dos Familiares das Vítimas do Voo 447 entrará na próxima semana com pedidos no Ministério Público e na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para que as autoridades brasileiras acompanhem asinvestigações francesas e intercedam no processo de pagamento do seguro aos familiares das vítimas brasileiras. No final de semana, representantes da entidade viajam para reuniões com famílias francesas e alemãs, em Paris e Berlim. Entre 216 passageiros do voo AF 447, 58 eram brasileiros.
"Em junho, nos reunimos com representantes do BEA e percebemos que o volume de informações deles é muito maior do que o disponibilizado pelas autoridades brasileiras. Apesar disso, as famílias europeias também reclamam da falta de transparência", afirmou o presidente da entidade Nelson Faria Marinho. Segundo ele, algumas famílias brasileiras não receberam o aditamento da seguradora, no valor de R$ 48 mil. Este é o caso da família brasileira do passageiro Joseph Owondo, de 55 anos. A entidade quer fazer a interlocução entre parentes e autoridades, mas as ações de indenização vão ficar a cargo dos parentes das vítimas. A tendência entre os familiares é ingressar com ações na Justiça dos EUA, que funciona como corte internacional de desastres aéreos.
Fonte: http://www.diariodepernambuco.com.br/2009/07/16/mundo3_0.asp
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