A equipe de marketing da Air New Zealand é uma das mais ousadas desse mercado tão tradicional na hora de brigar em publicidade. Há dois anos, inventou uma propaganda para ser tatuada na careca de passageiros, como um outdoor ambulante (a iniciativa foi revelada aqui na coluna na época). Quem era selecionado tinha a expressão Fly ANZ pintada com uma tinta indelével especial com durabilidade de três meses. Durante esse período, ficava obrigado a manter a cabeça descoberta, especialmente se circulasse em aeroportos e locais de maior movimento. E, claro, faturava uns bons trocados.
Agora, uma nova campanha faz o maior sucesso no YouTube. Para anunciar as regras de segurança e vender a qualidade do atendimento, a ANZ lançou em maio três filmes nos quais suas tripulações atendem com uniformes pintados sobre os corpos nus. As cores são fiéis justamente para que, num primeiro momento, quem olhe não note.
O slogan da campanha é muito feliz: “ANZ, não temos nada a esconder” e os resultados deixaram o presidente, Robin Fyfe, “empolgado”. Além da brincadeira óbvia com a nudez dos comissários, pilotos, comissárias e equipes de terra – todos são funcionários da empresa – é uma alfinetada nas empresas do tipo budget (baixo custo, baixa tarifa). Em várias delas, o valor do bilhete é baixo, mas cobra-se por tanta coisa em torno que a soma é quase a mesma. Ryan Air e EasyJet são bons exemplos dessa prática, que inclui aeroportos distantes dos centros – o que implica em transfers nem sempre baratos – sobretaxa por segundo volume de mão, por check in sem ser via online, por qualquer coisa de comer ou beber pedida no voo e até pelo uso dos toilettes durante a viagem. Na ANZ, o serviço de bordo está incluido no preço.
O filme com a propaganda comercial foi lançado antes, em maio. Mostra passageiros surpresos no saguão do aeroporto ao passarem por comissários com o corpo pintado. Em outra cena, uma passageira fica sem graça ao descobrir, da janela, o que o funcionário carregava junto com o volume, do trator para o bagageiro do avião. Na terceira cena, a comissária oferece um café a um casal, sendo que o marido está sentado no corredor e tem uma reação peculiar dada a distância para o corpo nu da moça. Vale destacar que tudo é feito com o maior bom gosto, com sensualidade mas sem nenhuma cena mais explícita ou apelativa. A comissária, por sinal, é belíssima. No making off disse, como as outras colegas, que estava bem à vontade e não sentiu dificuldade para filmar nua no ambiente de trabalho onde costuma atuar – as cenas de cabine foram gravadas dentro de um jato de verdade, estacionado numa área remota do aeroporto de Auckland.
O sucesso da propaganda foi tão grande que Fyfe decidiu adotar o mesmo critério para rodar os vídeos que levam aos passageiros antes dos voos as demonstrações sobre procedimentos de segurança. “A idéia foi manter os olhos de quem estava a bordo literalmente grudados nos monitores”, afirma o diretor do vídeo no making of também disponível no YouTube.
Novamente, nesse caso, a linha do bom gosto prevaleceu. O piloto aparece falando do cockpit – devidamente “vestido” – e a chefe de cabine faz a apresentação acompanhada de comissários. Apenas quando um deles mostra como afivelar os cintos é que o corpo aparece, assim mesmo encoberto pelo braço da poltrona. A comissária está em pé, com os seios encobertos pelos braços e pelo encosto da poltrona. A preocupação da companhia em não passar do limite foi tão grande que no making of uma das cenas mostra o câmera correndo para ajeitar o braço da moça. Ela mesma não parece se importar com a exposição.
A iniciativa da ANZ segue a tendência de transformar as demonstrações de segurança em algo atraente, aproveitando o fascínio que as comissárias exercem e a possibilidade de explorar o humor. É o caso, por exemplo, de Katharine Deltalina Lee, o belo rosto que a Delta usa no seu vídeo, que em um mês de exibição no YouTube teve 300 mil exibições. A jovem virou uma estrela e a segurança de voo ficou melhor.
Fonte: Glide Slope (JBSlot)
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