O primeiro relatório do escritório de investigação de acidentes da aviação civil francesa (BEA), que investiga o acidente com o Airbus da Air France - que caiu há um mês no Oceano Atlântico com 228 pessoas a bordo - afirma que a aeronave não se desintegrou durante o voo, como chegou a ser cogitado à época do acidente. Segundo o documento apresentado nesta quinta-feira, pelas análises visuais dos destroços, o Airbus, que fazia a rota Rio-Paris, tocou a água com a parte inferior, em linha de voo, com forte aceleração vertical. Até o momento, foram encontrados 640 destroços do avião.
Segundo o chefe da investigação, Alain Bouillard, o leme, uma das primeiras peças a serem identificadas, ainda estava fixado na estrutura do avião no momento do acidente. De acordo com ele, foi constatado ainda que prateleiras e suportes localizados na parte interna foram empurrados para o fundo da aeronave e que o impacto provocou uma deformação do assoalho de baixo para cima.
- O leme não foi submetido a forças laterais. Foi a ocorrência de movimento de trás para a frente. Podemos dizer que isso é coerente com o impacto com a água - afirmou Boullard, que lembrou ainda que o fato de não se ter encontrado coletes salva-vidas indica que os passageiros não estavam preparados para uma aterrissagem no mar.
As autoridades francesas também descartaram a possibilidade de encontrar as caixas-pretas do avião. Apesar disso, eles declararam que ainda estão longe de determinar as causas do acidente. Segundo Alain Bouillard, não é possível dizer se a aeronave evitou a zona de turbulência sem ter as informações das caixas-pretas. De acordo com ele, essa afirmação (desvio de zona de turbulência) só poderá ser feita se as caixas-pretas forem encontradas.
- Nós estamos bem longe de determinar as causas do acidente. Apenas elas poderiam aprofundar essa questão - disse, lembrando que nenhuma mensagem de socorro foi emitida por parte da tripulação do Airbus A330.
O BEA disse que as buscas pelas balizas acústicas foram prorrogadas até o dia 10 de julho. O escritório francês informou ainda que o trabalho do submarino Émeraude na região continua. Uma segunda fase de buscas, com outros métodos - que não foram detalhados pelo chefe das investigações - será iniciada após o dia 14 de julho.
Oito pessoas participaram de intensa investigação do escritório nas últimas três semanas e foi constatado que até seis meses antes do acidente, no dia 31 de maio, não foi apresentado nenhum problema técnico na aeronave. Segundo o documento, toda a manutenção do Airbus seguia o protocolo em vigor.
Fonte: Globo
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