5.11.09

Liberação da tarifa tem efeito nulo sobre passagem

Companhias ignoram extinção gradual do preço mínimo para viagens internacionais de longa distância. Para Anac, medida serve apenas para permitir promoções

A liberação do preço das tarifas para vôos internacionais de longo curso com saídas do Brasil, adotada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) em abril passado, não deve ter efeito prático para o consumidor neste fim de ano. Levantamento feito pela Gazeta do Povo mostra que os preços cobrados pelas companhias aéreas estão bem acima do antigo piso tarifário – até o início da liberação, as empresas tinham que obedecer a um preço mínimo.

A simulação foi feita para uma viagem de ida e volta entre 1º e 7 de dezembro, com destinos a Nova Iorque, Madri, Berlim e Paris. Os descontos estão sendo feitos de forma gradual e o preço mínimo será extinto totalmente até abril do próximo ano. O primeiro corte ocorreu há sete meses, no valor de 20% sobre o piso que vigorava até então. Em julho houve uma nova redução, de 50% e, em outubro, começou a valer o desconto de 80%. Em todos os casos pesquisados, os preços praticados pelas companhias estão acima do antigo piso. Para Nova Iorque, por exemplo, a tarifa mínima em vigor hoje é de R$ 248. Em abril, ela era de R$ 1.241. O menor preço oferecido para a data pesquisada, no entanto, é de R$ 1.652, pela Delta Airlines.

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Levantamento mostra que os valores cobrados pelas companhias aéreas estão acima do antigo preço mínimo
Segundo a Anac, o objetivo da liberação era permitir que as empresas aéreas fizessem promoções, algo que era inibido com o mercado controlado. Mesmo que na alta temporada as empresas não apliquem os descontos, elas têm o direito a fazê-los, seja para promover uma nova rota ou apenas para alguns assentos, informou a assessoria do órgão.

Concorrência

Na época do anúncio do fim do piso tarifário, a TAM criticou duramente a medida. A empresa é a única brasileira a operar para destinos além da América do Sul. Ao concorrer com companhias de maior escala e custo proporcionalmente menor, a TAM alegava que seria prejudicada. “Se as empresas nacionais não puderem competir nas mesmas condições das estrangeiras, a TAM acredita que as companhias aéreas brasileiras estarão em risco. É preciso, sim, beneficiar os passageiros, mas sem inviabilizar as empresas nacionais”, informou a empresa, em nota, à época.

Pela pesquisa feita pela reportagem, a empresa brasileira só não cobra a maior tarifa quando o destino é Nova Iorque (veja no infográfico). Para Madri e Berlim, as passagens pela companhia são as mais caras. Não havia voos para Berlim disponíveis na data pesquisada. A empresa foi procurada, mas a assessoria de imprensa não retornou o pedido de entrevista até o fechamento desta edição. Lufthansa e Air France informaram que nenhum representante estava disponível para falar sobre o assunto.

Fonte: Portal RPC

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