A Air France-KLM, num esforço para ser mais transparente, deve divulgar os resultados de uma investigação independente que critica amplamente algumas de suas práticas e regras internas de segurança.
As conclusões, que encerram um estudo de um ano conduzido por uma comissão internacional de oito especialistas em aviação escolhidos a dedo por executivos do alto escalão da Air France, segundo pessoas a par da situação, devem ser anunciadas hoje.
O relatório é inusitado não só porque muitas vezes tem um tom crítico, mas porque a direção da companhia aérea pretende divulgar partes dele.
O estudo deve questionar, entre outras coisas, certos programas de treinamento de pilotos da empresa, ressaltando lapsos de disciplina na cabine de comando no decorrer de vários anos, ressaltando também a importância de treinar melhor as tripulações a lidar com falhas nos sistemas automatizados.
Em geral, segundo pessoas a par do processo, o relatório identificou várias deficiências na tradicional cultura de segurança da segunda maior companhia aérea da Europa. O resultado, dizem as pessoas, é a recomendação de várias mudanças nos procedimentos e na supervisão interna, em parte para garantir que detalhes sobre incidentes e ameaças à segurança sejam analisados e comunicados rapidamente pela companhia.
A Air France já implementou muitas dessas recomendações, o que deve ajudar a suavizar as piores críticas. Mas especialistas em segurança aérea dizem que é raro qualquer grande empresa, especialmente uma companhia aérea mundial, dar a pessoas de fora tamanha liberdade para expor publicamente brechas nos sistemas de segurança.
A investigação foi iniciada no fim de 2009 pelo então presidente do conselho, Jean-Cyril Spinetta, seis meses depois da queda de um Airbus A330 da Air France que voava do Rio de Janeiro para Paris, que matou todos as 228 pessoas a bordo. Ainda não se sabe a causa do acidente — equipes de resgate ainda buscam a caixa preta do voo 447 —, mas ele aumentou imediatamente a atenção sobre o histórico de segurança e no treinamento de pilotos da Air France.
Durante o fim de semana, autoridades da empresa e integrantes da comissão — liderada por um ex-executivo de segurança da Boeing Co. e especialista em fatores humanos, Curt Graeber — não quiseram comentar dados específicos antes da divulgação oficial do relatório. Entre os outros integrantes da equipe está Nick Sabatini, ex-autoridade de segurança da agência do governo americano para o setor aéreo, a FAA; John Marshall, ex-chefe de segurança da Delta Air Lines; e David Woods, especialista em administração de risco e professor da Universidade Estadual de Ohio, dos EUA.
"Não consigo lembrar de outro exemplo de uma grande companhia aérea organizar um grupo tão prestigiado para realizar uma investigação abrangente", disse Bill Voss, presidente da Fundação de Segurança da Aviação, um grupo mundial sediado em Alexandria, Virgínia, nos EUA. "É extraordinário que eles estejam dispostos a divulgar os resultados", disse Voss, que acrescentou que o processo "me deixou confiante de que eles realmente vão realizar as mudanças".
Além de se concentrar em treinamentos específicos e em questões técnicas e de segurança, segundo pessoas a par do relatório, partes dele devem comentar aspectos do relacionamento entre pilotos e administração que já causaram problemas à Air France. A comissão comunicou suas conclusões ao atual diretor-presidente da Air France-KLM, Pierre Henri Gourgeon, na sexta-feira.
O relatório sugere que as sessões de treinamento de pilotos sejam mais realistas, em parte com a reprodução de incidentes verdadeiros envolvendo pilotos da empresa, em sessões periódicas de simulação. Alguns gerentes de segurança da Air France já tinham concluído que o treinamento de simulação precisava ser atualizado e variado para melhorar a habilidade dos pilotos. Há anos que muitas aéreas importantes de outros países já incorporam rotineiramente cenários realistas a seus simuladores.
Refletindo as recentes prioridades de segurança da fabricante europeia Airbus, filial da European Aeronautic Defence & Space Co., o estudo também recomenda alguns passos parar ajudar os pilotos a usar instrumentos de reserva se os sistemas automatizados quebrarem ou apresentarem leituras suspeitas. Outros especialistas de segurança já tinham identificado deficiências de longa data no treinamento e na administração das companhias aéreas na hora de ajudar as tripulações a reagir melhor a emergências.
A comissão, conhecida como Missão de Especialistas Externos, deve apresentar formalmente hoje seu relatório para outra comissão da Air France que conta com representantes da diretoria e dos sindicatos, segundo um porta-voz da companhia.
A Air France-KLM enfrentou quatro desastres aéreos significativos entre 1999 e 2009. Gourgeon já tinha dito que o histórico de segurança da empresa antes do acidente com o voo do Rio era melhor que a média do setor mundial, e depois do acidente apenas se equiparou à media.
Depois do acidente, a Air France e seus pilotos entraram em conflito em questões como treinamento e procedimentos de segurança. Muitos especialistas em segurança aérea de fora da companhia sugeriram que um fator que contribuiu para o acidente foi a resposta inadequada dos pilotos a leituras errôneas dos sensores de velocidade. O sindicato de pilotos da Air France criticou o treinamento da companhia, enquanto muitas pessoas de fora da companhia criticaram o histórico de segurança dos pilotos da Air France.
No fim de 2009, a Air France enviou um memorando a todas as suas tripulações de cabine, instruindo-as a seguir os procedimentos de segurança com mais atenção e a parar de criticar a companhia. O maior sindicato de pilotos da companhia considerou o memorando inapropriado.
Fonte: The Wall Street Journal

Um comentário:
Algumas considerações de quem possui 32 anos em aviação, operações de vôo, com a automação,que alguns especislistas ,julgam demasiado, a tripulação fica relaxada,não têem "pé e mão", falta um gerenciamento de cabine, eficaz, tudo vai bem em céu de brigadeiro, porém ao se depararem com situações limite,de stress, se apavoram, entram em curto-circuito. O caso deste AF.sobre o Atlântico ,após cruzero o través de FN, não estavam provavelmente com leitura correta, não desviaram ou desviaram pouco, entram num paredão de temperaturas de quase -75 graus C. , viraram uma pedra de gêlo, congelou tudo, a estrutura não suportou ,o fenomeno denominado CAPE, aquecimento acima do normal da água do oceano, coluna de cumulus-doldrumus, baixaissimas temperaturas, corrente que causaram mais de 5G de gravidad em que a empenagem não suportou, este pilotos não souberam administrar a situação, entraram neste rolo compressor,foram moidos,lá estava em atividade ( obtida no briefing) a ITCZ, seus cumulus doldrumos, a temperatura do oceano já havia mais de 3 dias acima do normal, um cenário para a catástrofe,tudo mal,ou pouco interpretado pela tripulação de cabine (cockpit).
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