A indicação incorreta da velocidade nos
instrumentos devido ao bloqueio dos receptores de pressão atmosférica poderia
ter provocado a catástrofe do Boeing 737 da companhia aérea Lion Air na
Indonésia, opina o especialista em aviação Viktor Galenko.
O avião, que efetuava um voo de Jacarta à
ilha de Sumatra, decolou do Aeroporto Internacional às 6h20 do horário local
(20h20, horário de Brasília) e desapareceu dos radares às 6h33 (20h33, horário
de Brasília).
Em seu comunicado a empresa aérea informou
que havia 181 passageiros a bordo, dois pilotos e seis outros membros da
tripulação. Até o momento, a equipe de resgate encontrou seis corpos de
passageiros perto da costa indonésia, relatou à Sputnik o representante da
Agência Nacional de Busca e Resgate nesta segunda-feira (29).
"De acordo com os dados ADS-B
[tecnologia de vigilância cooperativa para rastreamento de aviões e recebimento
de informações aeronáuticas], a tripulação reportou uma 'velocidade de voo não
confiável'. Realmente, segundo o sistema, durante cinco minutos e a uma
altitude de 1,5 mil metros a velocidade da aeronave mudou continuamente na
faixa entre 555 quilômetros por hora e 611 quilômetros por hora", disse
Galenko.
Segundo o analista, o voo anterior da aeronave
(JT043) demonstrou valores instáveis semelhantes em altitude e velocidade
depois da decolagem.
"Conforme o diário técnico deste voo,
publicado no site da Aviation Safety Network [registro de acidente e incidentes
aéreos de aeronaves], os valores se estabilizaram oito minutos depois.
Observa-se que a 'velocidade de voo não é confiável e não corresponde aos
indicadores após a decolagem", acrescentou.
Na opinião dele, a versão sobre
congelamento dos receptores de pressão atmosférica pode ser descartada, uma vez
que a temperatura a essa altitude de voo era positiva.
"Resta a versão sobre um bloqueio
mecânico dos tubos de Pitot [instrumento de medição de velocidade] como
resultado da entrada de insetos ou animais pequenos durante o último período de
estacionamento da aeronave", explicou o analista.
No entanto, Galenko salientou que essa falha
não é crítica, porque outros dispositivos indicadores da velocidade, como o
GPS, permitem pilotar o avião de forma bastante segura.
"Infelizmente, em condições de uma
tripulação composta de dois membros, tais situações causam conflito entre o
comandante e o copiloto quanto à adoção de uma única decisão correta e
articulada. Provavelmente, essa foi a principal premissa para a
catástrofe", acrescentou o analista, destacando que este acidente aéreo é
o maior em número de vítimas desde 2015.
https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2018102912547948-causas-catastrofe-aerea-aviao-indonesia/

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