No caso do setor aéreo, o maior risco é a
deterioração do real, o que elevaria as dívidas do setor
Mesmo que todos os principais candidatos à
Presidência tenham manifestado apoio aos programas de subsídio habitacional, a
eleição de outubro ainda representa riscos para as grandes construtoras
brasileiras, disse a chefe da equipe de finanças corporativas para América Latina
da agência, Marianna Waltz, nesta terça-feira (25/09).
Os lucros das companhias aéreas também
podem ser impactados se os resultados da eleição prejudicarem o valor do real,
acrescentou agência de classificação de risco.
Waltz disse que nenhum candidato planeja
mudanças estruturais no Minha Casa Minha Vida, que é uma questão fundamental
para a rentabilidade das construtoras.
Entretanto, a executiva afirmou que
qualquer deterioração nas contas públicas após a eleição ou uma retração na
confiança do consumidor poderia deixar o setor significativamente exposto.
“Não parece que teremos mudanças materiais
no atual panorama regulatório, o que é positivo. Dito isso, se a economia não
está indo bem, se houver uma reversão no sentimento do mercado, a demanda não
estará lá”, disse Waltz. “Além disso, se as contas fiscais do governo não
estiverem em boa forma, talvez a estrutura política esteja lá, mas na prática o
dinheiro não estará lá para ser emprestado.”
Os comentários de Waltz destacam os riscos
para algumas das maiores construtoras da América Latina, como a MRV. Executivos
do setor tentaram assegurar aos investidores nos últimos meses que qualquer
mudança no subsídio de imóveis será pequena, embora alguns analistas tenham
sinalizado possíveis cortes no período pós-eleitoral, quando os políticos podem
ter menos ressalvas em cortar programas populares.
Aviação e telecomunicações
A indústria de aviação também pode sofrer
se as eleições desencadearem uma nova liquidação no real, dado que companhias
aéreas recolhem a maior parte de sua receita em reais, mas possuem uma dívida
significativa em dólar, segundo Waltz.
Por outro lado, as principais empresas de
telecomunicações, como a Telefônica Brasil, podem emergir como vencedoras se o
próximo Congresso conseguir dar prosseguimento às reformas para reduzir a regulação
sobre o setor, disse a executiva.
Parlamentares há anos vêm adiando uma
legislação que libera bilhões de dólares em investimentos em tecnologias, como
banda larga de alta velocidade, deixando os grupos de telecomunicações livres
de certas amarras regulatórias, mas a impopularidade recorde do atual governo
provocou uma grande desaceleração nas atividades no Congresso.

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