6.4.08

Aeroportos não serão privatizados, diz Infraero

BRASÍLIA - O governo do presidente Lula descartou totalmente a privatização dos aeroportos brasileiros. É o que informou em entrevista ao Globo o presidente da Infraero, Sergio Gaudenzi. Ele acrescentou que o Executivo federal vai se encarregar da tarefa de melhorar a infra-estrutura aeroportuária e já decidiu que o Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, terá papel central no plano estratégio para o setor.
O governo pretende transformar Viracopos no maior terminal da América do Sul até 2025. Atualmente, o terminal comporta dez milhões de passageiros ao ano e o objetivo é aumentar a capacidade para 85 milhões.

Gaudenzi acrescentou que Campinas é a jóia da coroa, o número 1 em carga, o que explicaria as investidas recentes do empresariado paulista, com o aval do governo estadual. Segundo ele, as "condições excepcionais" de Viracopos explicam a cobiça. Além de ser um sítio aberto e livre de problemas meteorológicos (fecha no máximo cinco dias ao ano), há poucos moradores em volta.
Gaudenzi disse que a Infraero já está preparando a licitação para construir, imediatamente, a segunda pista e dar início a um novo terminal de passageiros em Viracopos.

Galeão não atrai interessados

Quanto à situação do Galeão, no Rio, Gaudenzi afirmou que o aeroporto está liquidado e vem se deteriorando há anos, desde o esvaziamento de vôos para o Santos Dumont. Segundo ele, não apareceu nenhum interessado na licitação para escolha do projeto para a reforma do terminal 1, que foi considerada deserta. No próximo dia 14, será realizada uma nova rodada e, se a concorrência fracassar novamente, a estatal terá o direito de convidar diretamente uma empresa para fazer a obra. O valor fixado no edital é de R$ 2,9 milhões.

Orçada em R$ 100 milhões, a reforma do Galeão foi incluída no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e R$ 40 milhões estão previstos no Orçamento da União de 2008. A Infraero prevê iniciar os trabalhos dentro de sete meses. O Galeão tem a maior pista do Brasil, está ligado a mais de 18 países e tem capacidade para atender até 15 milhões de usuários por ano. Em 2006, passaram pelo aeroporto 8,856 milhões de pessoas.

Gaudenzi está à frente também da reestruturação da Infraero, que deixará de ser uma autarquia e vai virar uma empresa. Para isso, será enviado um projeto de lei ao Congresso em que a União vai passar à estatal a propriedade dos aeroportos que administra, de forma a dar-lhe patrimônio.

Fonte: O Globo

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