Oportunidade está em fornecer aeronaves menores e mais econômicas para companhias que tentam sair do vermelho
Empresa prevê má notícia para passageiros; preço das passagens deve subir, na busca de evitar a crise pela persistente alta do petróleo
A crise econômica mundial e a escalada do preço dos combustíveis continuam a causar baixas na aviação comercial, mas podem beneficiar fabricantes de aviões que se adaptem à nova realidade. Essa é a previsão da Embraer, que vê na atual conjuntura um oportunidade de crescer, fornecendo aeronaves menores e mais econômicas às companhias aéreas que tentam sair do vermelho.Para os passageiros, contudo, a notícia não é boa: na avaliação da empresa brasileira, as companhias aéreas serão forçadas a elevar o preço das passagens para driblar a crise.
A mais recente vítima foi a United Airlines, que na quarta-feira anunciou a retirada de 80 aviões de operação até o fim do ano e outros 20 em 2009 para compensar o aumento de suas despesas com combustível. Na opinião do vice-presidente de inteligência de marketing da Embraer, Luiz Sergio Chiessi, outras empresas aéreas seguirão o mesmo caminho. Muitas não sobreviverão."As empresas aéreas fizeram grandes cortes de custos e continuam com problemas para obter lucro. Quando isso acontece, é porque alguma coisa está errada", disse Chiessi durante um evento organizado pela Embraer em Paris. Ele sugeriu que é preciso haver uma "reforma estrutural" para que o setor recupere o fôlego. Isso significa antes de mais nada, diz ele, passagens mais caras.
Chiessi explicou que um dos principais problemas da aviação comercial é o excesso de oferta, que achatou os preços das tarifas e mergulhou o setor em uma crise que se agravou com a disparada dos preços do petróleo. Segundo ele, os vôos lotados que enfurecem os passageiros dão a impressão de que as empresas estão bem, mas isso é uma ilusão: para encher os aviões, as companhias são obrigadas a reduzir os preços, comprometendo a receita.
Horizontes
Nesse céu de nuvens carregadas para a aviação comercial, a Embraer enxerga um horizonte de boas oportunidades. Para seus executivos, a troca de aviões antigos por outros menores e mais econômicos é uma tendência natural e que favorecerá a empresa brasileira, líder mundial na fabricação de jatos de até 120 assentos. Além disso, o aquecido mercado de jatos executivos deve ficar ainda mais atraente."Diante das dificuldades das companhias comerciais, muitas empresas e clientes particulares com alto poder aquisitivo estão partindo para a aquisição de jatos executivos", disse Antonini Puppin Macedo, do departamento de inteligência de marketing da Embraer.
Ele contou que a demanda por jatos executivos é tão grande que aeronaves usadas chegam a valer mais que as novas, pois muitos clientes não têm paciência para esperar na fila.Macedo disse que hoje a venda dessas aeronaves representa 15% da receita da Embraer e que a meta é que essa proporção atinja 25% até 2010. Neste ano, a empresa prevê entregar entre 195 e 200 aviões, entre aviação comercial, executiva e de governo e defesa. No balanço anunciado no mês passado, a empresa exibiu uma receita de US$ 1,3 bilhão no primeiro trimestre, 60,6% mais que no mesmo período de 2007.O jornalista MARCELO NINIO viajou a convite da Embraer
Fonte: Folha de SP
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