Em meio a rumores de que Sérgio Gaudenzi estaria prestes a deixar a presidência da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), a assessoria da estatal responsável por administrar 68 dos principais aeroportos brasileiros voltou hoje a negar que ele tenha apresentado pedido de demissão ao ministro da Defesa, Nelson Jobim.
Embora boatos sobre a substituição de Gaudenzi sejam uma constante desde que, em agosto de 2007, Jobim o convidou a deixar o comando da Agência Espacial Brasileira para assumir a Infraero, a hipótese ganhou força após o próprio Gaudenzi declarar não ser a pessoa indicada para conduzir um eventual processo de privatização de aeroportos.
Desde junho deste ano, quando o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, defendeu que a gestão do Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim, o Galeão, fosse transferida para o governo estadual, Gaudenzi tem dito ser contrário à privatização dos poucos aeroportos lucrativos administrados pela Infraero. No início deste mês, no entanto, ele foi além, declarando que não lhe resta outra saída senão colocar seu cargo à disposição caso o governo opte por conceder os aeroportos à iniciativa privada.
'Se o caminho vai por esse lado, eu me sinto, no mínimo, na obrigação de por o cargo à disposição. O governo vai ver o que quer. Eu tenho uma posição e não recuo, porque acho que estou certo. Então eu deixo isso aí ao presidente [Luiz Inácio Lula da Silva], ao ministro [da Defesa, Nelson Jobim], tranqüilamente', declarou.
Depois do episódio, começaram a surgir na imprensa os nomes de possíveis substitutos de Gaudenzi, quase todos ligados ao PMDB, caso do engenheiro Rogério Luiz Zeraik Abdalla e do atual diretor de operações dos Correios, Marco Antônio Marques de Oliveira.
Hoje, Abdalla confirmou à Agência Brasil ter sido sondado para ocupar um cargo na diretoria da estatal, mas negou que tenham lhe oferecido a presidência da empresa. Ele diz ter recusado o convite para continuar chefiando a assessoria da presidência da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), mas confirmou o interesse do PMDB no posto ao afirmar que 'com certeza, o partido irá indicar alguém que tenha sinergia com o ministro Nelson Jobim e que tenha conhecimento sobre o assunto'.
A assessoria de imprensa da Infraero amenizou as declarações do presidente da estatal. 'Ele disse apenas que estava deixando sua posição clara, ou seja, que não era a favor da privatização e sim da abertura de capital da empresa. Questionado se sairia por conta da privatização, ele afirmou que esta é uma decisão que não compete a ele, mas que se isso ocorrer, seu cargo sempre esteve à disposição por ser de livre nomeação e de confiança do governo'.
Fonte: Agência Brasil.
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