29.7.09

Faltam profissionais qualificados no mercado de aviação

Sindicato diz que já há sobrecarga de trabalho. Anac teme que isso prejudique o crescimento do mercado.

O mercado de aviação sofre com a falta de profissionais qualificados. Os motivos são variados: os cursos são caros, as empresas não estão dispostas a pagar pela formação de novos profissionais, os salários já não atraem tanto.
Até maio deste ano, nenhum mecânico de voo - que é o profissional que viaja nos aviões - tirou o certificado para trabalhar. Para o sindicato que representa os funcionários, já há sobrecarga de trabalho.

O investimento do aluno é muito grande. Um piloto, por exemplo, precisa fazer seis meses de curso, pelo menos. Se for para voos comerciais, ele terá que passar mais um semestre na escola. Depois, vêm as horas de voo: 200 em média, que vão custar cerca de R$ 50 mil. Alguns pilotos experientes acreditam que por causa desse gasto tão grande, hoje há bem menos profissionais em busca desse mercado.

“A evasão está se dando exatamente por esse motivo. O custo de aprendizado é extremamente alto e o retorno é extremamente baixo. As empresas não pagam mais de R$ 2,5 mil por mês para um iniciante”, compara o piloto e instrutor Rui Torres.

“Quando você é empregado numa companhia aérea como piloto, você começa ter retorno a partir do terceiro ano, mais ou menos, de tudo aquilo que você investiu para começar na carreira”, afirma o aeroviário Ranieri de Moura Ribeiro.

Mais de 50 milhões de pessoas viajam por ano de avião no Brasil. Só neste primeiro semestre houve um aumento de 3% no número de passageiros, em comparação com o mesmo período de 2008.
Crescimento em risco

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) teme que o mercado não esteja preparado para encarar esse processo de crescimento.

“O boom que aconteceu na aviação brasileira entre, mais ou menos entre 2002 e 2005, gerou sérios problemas de oferta de mão-de-obra em 2006 e 2007. Se falta profissional, vamos ter problema de oferta de voos, as companhias vão ter que segurar um pouco a oferta de novos voos e com isso o preço da passagem acaba se elevando”, aponta a diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Solange Vieira.

“Trabalham no limite máximo e muitas vezes superior ao limite permitido pela Legislação. Uma das características do aeronauta é fadiga crônica. Tanto no comissário quanto nos pilotos e que leva, por exemplo, a afastamento de voos”, afirma a diretora do Sindicato Nacional dos Aeronautas Marlene Ruza.

“A Anac fiscaliza e controla muito as linhas aéreas. Se elas estão colocando os pilotos para trabalhar mais do que o máximo estabelecido. Tem um controle e, na verdade, o que vai acontecer é que não vai poder crescer a taxa que o mercado está demandando”, diz a diretora da Anac Solange Vieira.

A diretora da Anac diz que a agência está oferecendo bolsas de estudos para pilotos que atendem a algumas exigências. Com a bolsa, os interessados podem fazer cursos em aeroclubes. Hoje, segundo o Sindicato dos Aeronautas, há 500 pilotos brasileiros que voam no exterior, onde os salários são melhores.

Fonte: G1

Um comentário:

Unknown disse...

Sou Categoricamente contra as bolsas para pilotos. E se o SNA
fosse e representasse os reais interesses dos aeronautas brasileiros,
também seria contra ao uso do dinheiro do contribuinte para tal
finalidade, sem falar nas dúvidas quanto se as ditas bolsas
distribuidas pela ANAC se destinam a quem realmente necessita.
Considerando o numero elevado de profissionais no exterior,
é muito questinável os dados relativos a falta de pilotos no Brasil,
assim como a necessidade de subsídios a formação deles. Creio
que a melhor forma de elevarmos os salários da categoria é
com a lei de mercado. Porque será que em paises como a China,
India e Japão os salários de um comandante de linha aéra é na
média de U$D 10,000 ? E ainda contratam estrangeiros! Ou vocês
acham que pilotos chineses, indianos ou de qualquer outra
nacionalidade gostam de dividir suas posições de trabalho com
estrangeiros? Bem a resposta para isto é simples: falta de pilotos.
A lei da oferta e procura em funcionamento. O SNA deveria agir de
forma regulatória no numero e na qualidade dos profissionais de
aviação contribuindo assim com um melhor nível de salário e também
segurança. Profissionais bem formados serão também mais exigentes,
em todos os níveis.
Para finalizar gostaria de comentar algo que se escuta muitas
vezes em conversas entre aviadores: Na década de 70 um comandante
de linha aéra no Brasil podia comprar um Fusca zero quilometro com o salário
de um mes, isto é, hoje o equivalente a comprar um carro popular,
digamos que como um Fox 1.0 zero quilometro avista. E porque isto
era possível? Simples, o Brasil crescia a taxas de 10% ao ano, as
mesmas taxas que China e India estavam crescendo até o começo
desta crise, é verdade que momentaneamente o crescimento destes
paises é um pouco menor, porém comtinuam apresentado taxas bem
maiores que o Brasil.

Cmte Flavio F. Lobanowsky
B737-800 Air India Express