Michael OLeary, o diretor executivo da companhia aérea mais barata da Europa, a Ryanair, discutia recentemente seu novo projeto de cobrar dos passageiros cada ida ao banheiro. Ele previu que, com isso, a maioria dos passageiros - os "visitantes eventuais das toaletes", como os define - deixará de vez de usar os banheiros de bordo durante os voos.
O que será ótimo, já que gostaria de reduzir o número de banheiros num avião para apenas um.
E se os passageiros sofrerem de algum problema desagradável que os obrigue a visitá-los frequentemente, como uma intoxicação alimentar? Uma espécie de grunhido saiu da poltrona onde OLeary estava sentado. "Não servimos nem comida suficiente para as pessoas terem uma intoxicação alimentar", declarou.
OLeary, 48 anos, fala rápida, adepto das calças jeans, é um dos empresários mais bem-sucedidos da Irlanda, diretor de uma empresa aérea que floresce consideravelmente em um momento brutal para as companhias do setor (e para a maioria das outras). Ele é conhecido como um "casca grossa", tanto no agir quanto no falar, por declarações públicas escandalosas e por uma implacável convicção de que os passageiros de companhias que fazem rotas curtas devem suportar todo tipo de indignidade que se possa imaginar, porque as passagens são muito baratas e os seus aviões cumprem os horários.
"Logo, ele obrigará a gente a pagar pelo oxigênio que respira e pelo número de membros", disse em junho o jornal The Sun, quando OLeary apresentou sua proposta mais recente - fazer os passageiros carregarem as próprias malas até o avião.
OLeary adora exibir-se em seu personagem de pugilista nacional e provocador, mostrando-se ora agradável, ora ofensivo. Já declarou que os gordos deveriam pagar mais pelos assentos, mas que demoraria demais pesá-los no aeroporto. Em outra ocasião, numa coletiva em que discutia a possibilidade de inaugurar voos transatlânticos, sugeriu - para consternação das jovens que traduziam suas respostas em alemão - que os clientes da classe executiva teriam direito a sexo oral.
Às vezes, OLeary dá a impressão de fazer sugestões insanas apenas pelo prazer de chocar as pessoas. Mas, em particular, é conhecido como um negociador muito duro, dotado de um grande senso de oportunidade e de agressividade que lhe permite concluir negócios favoráveis, como quando fez um grande pedido de aviões novos no momento em que o mercado entrava em colapso, depois dos ataques de 11 de setembro.
Entre seus inimigos estão os sindicatos (seus funcionários não são sindicalizados), políticos que impõem taxas nos aeroportos, ambientalistas, blogueiros que desancam seu lamentável serviço, agentes de viagens, repórteres que esperam usufruir de assentos de graça, autoridades reguladoras que põem obstáculos aos seus planos e proprietários de aeroportos.
A Ryanair opera mais de 850 rotas em toda a Europa, frequentemente para aeroportos pouco conhecidos, distantes das grandes cidades. Os lucros da Ryanair depois do pagamento dos impostos caíram 78% no exercício financeiro encerrado em março, mas mesmo assim a companhia ganhou US$ 140 milhões. Enquanto a maioria das companhias perde continuamente passageiros, a Ryanair prevê um aumento do número de pessoas transportadas, de 57 milhões, em 2008, para 68 milhões este ano.
O mistério é o que leva tantas pessoas a tolerar uma companhia que, segundo a revista The Economist, "se tornou sinônimo de péssimo serviço, de propaganda enganosa e de rudeza e zombaria com todos e com tudo o que se coloca em seu caminho". "Ninguém ajuda você - e ponto final", disse Malcolm Ginsberg, diretor do boletim de viagens aerbt.co.uk, para descrever o que acontece com os passageiros que precisam de assistência no aeroporto.
A questão não é essa, afirmou OLeary em uma recente entrevista. "Nosso serviço aos clientes é diferente do de todas as outras companhias aéreas que vendem imagens como Vamos cair aos seus joelhos e você pode nos pisar ou O cliente tem sempre razão, e todas estas balelas". Por outro lado, diz OLeary, a Ryanair promete quatro coisas: tarifas baratas, cumprimento dos horários, poucos cancelamentos e poucas bagagens perdidas.
Fonte: ultimo Segundo
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