4.4.08

Empréstimo do BNDES a "JetBlue"

Burocracia e custos podem levar controlador a buscar recursos nos mercados externos

A nova companhia aérea de David Neeleman, fundador da JetBlue, ainda não entregou um pedido de financiamento ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a aquisição de até 76 jatos da Embraer, investimento estimado em US$ 3 bilhões.

Embora as duas partes estejam negociando há pelo menos dois meses, esse seria um sinal de que o executivo, nascido no Brasil, pode preterir a linha do BNDES por recursos obtidos no exterior, a custos inferiores aos do banco brasileiro, contam pessoas próximas às negociações.

O próprio Neeleman, durante o anúncio oficial do lançamento de sua mais nova empreitada, no Brasil, já havia dito que poderia optar por financiar os jatos no exterior se conseguisse custos mais baratos. Uma fonte que acompanha as conversas diz que Neeleman não tem demonstrado muito interesse em usar a nova linha do BNDES.

Demora do "cheta"

A nova companhia aérea foi procurada, mas informou que não se pronunciaria sobre o assunto. O motivo, além dos custos mais baixos no exterior, seria a burocracia. Isso porque o BNDES exige que a companhia tenha a autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) como concessionária de transporte aéreo, documento conhecido no jargão do setor aéreo como "cheta".

Como a empresa de Neeleman só deve obter essa permissão pouco antes de operar, o que está previsto para janeiro de 2009, não haveria tempo hábil para compor a frota, segundo a fonte. O BNDES lançou recentemente uma linha de financiamento para a aquisição de jatos da Embraer, conforme regras da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Apesar de o Brasil não integrar a OCDE, foi convidado a participar da elaboração dessas normas. De acordo com as regras da OCDE, um banco de fomento deve obedecer o limite de participação no financiamento de até 85%, mais prazo máximo de 15 anos. As taxas de juros são seguem os títulos do tesouro norte-americano (treasury, atualmente em torno de 5%) e spread conforme a classificação de risco da companhia aérea.

Uma alternativa que pode ser usada pela nova companhia aérea, segundo um especialista em arrendamento de aviões (leasing), seria Neeleman criar uma empresa no exterior para poder obter financiamento externo. Depois disso, essa companhia faria o leasing para os jatos que Neeleman quer operar. O consultor aeronáutico Paulo Sampaio lembra que esse mecanismo é muito usado no setor, como no caso da Rio Sul, ex-subsidiária da Varig.

Fonte: http://www.monitormercantil.com.br

Nenhum comentário: