A TAM vê seu balanço como sólido, com nível de endividamento similar ao de qualquer empresa do setor considerada saudável. O presidente da maior companhia aérea do país, David Barioni Neto, disse na terça-feira que a TAM já apresenta resultado positivo com hedge de petróleo, depois de sofrer pesada perda em 2008 com essas operações.
"Em 2009 o resultado financeiro já está positivo", disse Barioni Neto em entrevista durante o Reuters Latin American Investment Summit. "Estamos bem posicionados, não temos estrangulamento de balanço", afirmou o executivo, após ser questionado sobre a redução do rating da empresa pela Fitch.
Na segunda-feira, a agência de classificação de risco rebaixou os ratings em moedas estrangeira e local da TAM de "BB" para "BB-", com perspectiva negativa. A Fitch citou que a alteração "reflete a preocupação com a severidade e a duração da desaceleração da demanda por transporte aéreo no Brasil e o resultado disso nas métricas operacionais e de crédito" da TAM.
Barioni Neto afirmou acreditar que o pior da crise econômica global, para o setor aéreo, passou - e que o Brasil "já bateu no fundo do poço". "Estamos vendo um primeiro trimestre (para a economia brasileira) não tão ruim quanto se previa", afirmou o executivo.
A TAM divulgará seu resultado do primeiro trimestre na quinta-feira, antes da abertura da Bovespa. A empresa contabilizou perda de R$ 919 milhões com operações de hedge de combustível no balanço do quarto trimestre de 2008.
Competição
A TAM vem cortando custos para lidar com a desaceleração do crescimento da demanda do mercado brasileiro este ano e vem sendo pressionada pela chegada de novos concorrentes no mercado interno. No acumulado de janeiro a março, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o tráfego aéreo no País subiu 4,7% ante igual período de 2008. No ano passado, o mercado aéreo nacional cresceu 7,4%, após anos de expansão de dois dígitos.
No front internacional, a TAM vê como inadequado o momento em que a Anac decidiu liberar, no final de abril, o piso de preço das passagens para fora do Brasil. Barioni Neto comentou que não vê muita oportunidade para acompanhar a redução de tarifas previstas pela redução inicial do piso em 20%.
"Temos que esperar o que vai acontecer, porque não temos muita margem para baixar. Nós operamos com margem de 5,7% no ano passado. Não há muito espaço para baixar, porque aí nós entraríamos em uma situação bastante delicada."
Segundo ele, cerca de 78% dos passageiros que saem ou entram no Brasil pelo transporte aéreo o fazem voando TAM. A TAM é a única companhia nacional que voa para fora da América do Sul.
Ao ser questionado sobre a chegada da rival Azul dentro do país, Barioni Neto afirmou que "o mercado brasileiro não tem volume para sustentar mais do que duas empresas", referindo-se à própria TAM e à Gol . Segundo ele, com 4 por cento de um mercado de 60 milhões de passageiros, como o brasileiro, "você não consegue ser rentável".
"Quando a Gol chegou havia uma janela de oportunidade com fechamento de outras empresas (...) Não dá para fugir dos números", disse o executivo. No mercado doméstico, conforme dados Anac, a TAM ficou com participação de 49,5% no primeiro trimestre, enquanto a Gol teve fatia de 40,3%.
Barioni Neto reafirmou que a empresa pretende reduzir o número de horas voadas este ano para compensar a desaceleração do mercado interno. Ele disse que ainda não procurou a Airbus para renegociar o cronograma de entregas de aeronaves à empresa, mas não descartou essa possibilidade para os próximos anos.
"Somos o maior cliente da Airbus, o que dá um certo peso para negociarmos com eles", disse Barioni, garantindo que a TAM não cancelará pedidos. O plano de frota da TAM indica que a empresa terá este ano 132 aviões, passando a 137 em 2010 e 152 em 2013. No final de março, a TAM reduziu sua projeção de crescimento do mercado doméstico em 2009 de 5% a 9% para entre 1% e 5%.
Barioni Neto decartou a entrada da TAM no negócio de aeroportos, mas enfatizou a necessidade de investimentos em infraestrutura. Ele citou estudo encomendado pela TAM à consultoria Bain Company, que prevê que o mercado brasileiro dobrará em 2014 em relação ao ano passado, alcançando cerca de 120 milhões de passageiros.
Fonte: Invertia
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