17.11.11

Juntas, TAM e Gol perdem mais de R$ 1 bi com dólar


A volatilidade do dólar, que encerrou o terceiro trimestre cotado a R$ 1,85, teve forte impacto negativo para os resultados das duas maiores companhias aéreas brasileiras. TAM e Gol divulgaram, na semana passada, prejuízo líquido conjunto de R$ 1,1 bilhão de julho a setembro.

Desse total, são R$ 619,7 milhões da TAM e R$ 516,5 milhões da Gol. Na comparação anual, as duas empresas haviam apresentado lucros líquidos de R$ 733,5 milhões e R$ 110 milhões, respectivamente.

"Quando olhamos a operação, o resultado operacional foi bom. O impacto do dólar foi sobre o resultado financeiro, especialmente na dívida de longo prazo, basicamente com bancos e leasing [arrendamento de aviões]", afirmou o presidente da TAM, Líbano Barroso.

"No terceiro trimestre, devido à política tarifária aplicada pela indústria, verificamos que os clientes compraram com antecedência. Os reajustes de tarifa levam de 60 a 90 dias para terem efeito", disse o presidente da Gol, Constantino de Oliveira Júnior.

TAM e Gol mostraram resultados opostos no chamado "yield", um dos principais indicadores do setor. É o valor que cada passageiro paga por quilômetro transportado e que serve para as companhias aéreas corrigirem os preços das passagens

Na Gol, o yield recuou 7,6% na comparação de terceiros trimestres. Na TAM, esse indicador registrou expansão de 7%. Segundo Líbano, o yield do quarto trimestre tem chances de crescer entre 3% e 5%. Para o vice-presidente de finanças e relações com investidores da Gol, Leonardo Pereira, essa taxa deve avançar ao menos 1% entre outubro e novembro.

A valorização do dólar em relação ao real no terceiro trimestre também teve reflexo na dívida e na alavancagem de TAM e Gol. Juntas, as duas companhias encerraram o terceiro trimestre com dívida líquida de R$ 9,4 bilhões, sendo R$ 6,8 bilhões da TAM e R$ 2,6 bilhões da Gol.

Na divulgação dos resultados, a TAM deu prioridade à relação entre dívida líquida e lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda). A Gol, por sua vez incluiu o arrendamento de aeronaves.

No critério da TAM, a alavancagem ficou em 4,6 vezes e no da Gol, em 6,4 vezes. Segundo especialistas do setor, uma relação saudável para companhias aéreas oscila entre 3 e 5 vezes. "Se o dólar estivesse em R$ 1,75, essa relação cairia para 4,3 vezes", afirmou Líbano, da TAM. "Não estamos satisfeitos", afirmou Pereira, da Gol, acrescentando, porém, que a situação da empresa é confortável porque não há vencimento de dívida no curto prazo.

O crescimento da demanda por transporte aéreo teve impacto positivo para a receita líquida das duas empresas, no período avaliado. Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o fluxo de passageiros acumula de janeiro a setembro crescimentos de 18,5% nos voos domésticos e de 13,8% nos internacionais.

As duas companhias somaram no terceiro trimestre receita líquida de R$ 5,1 bilhões, sendo R$ 3,3 bilhões para a TAM e R$ 1,8 bilhão para a Gol. Na comparação com os mesmos períodos do ano passado, os crescimentos foram de 14,5% e de 3,1%, respectivamente.

Fonte: Valor Econômico

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